Diário de Lembranças

Goiânia, 13 de março de 1992


Ainda não tenho idade para entrar na escola, mas como meus pais se separaram há poucos meses, vou junto com minha irmã para a escolinha maternal Arco-íris enquanto minha mãe trabalha. Não tenho nenhuma lembrança dos meus pais juntos. Minhas primeiras memórias partem daqui, de 1992 a 1993, enquanto estava no Arco-íris.

Não são muitos os amigos que tenho aqui, já que sou muito novo. No horário do lanche, enquanto todos vão correndo para o pátio com suas lancheiras, fiquei atrás da porta comendo mel, aqueles que vem em bisnaguinhas.





Gosto muito de desenhos e de colorir. Minha arte ainda é abstrata e incompreensível para alguns. Mas com o passar dos anos vocês verão! Vou melhorar. Até mais!


Goiânia, 26 de outubro de 1992


Apesar de ser um dos mais novos, lembro que desenvolvi a linguagem de forma rápida. Um episódio muito claro ainda em minha memória é um momento nos balanços da escolinha, quando meus colegas falavam sobre o dia das “buxas” e eu os corrigia: “não é buxa! É bruxa!”.


Sempre que acaba a aula, ou meu pai ou minha avó me buscam. Meu pai me busca de carro e me leva pra casa dele. Minha avó sempre passa aqui depois da feira. subo na parte de cima do carrinho de feira dela e ela me leva até seu apartamento. Fico lá a tarde toda até minha mãe sair do trabalho.


Goiânia, 30 de abril de 1993


Hoje é meu aniversário!!!




Pela primeira vez estou comemorando meu aniversário na escola. Eu sempre quis, já que todos meus outros colegas comemoraram também. Nem teve aula hoje, só festinha e comilança.




Ó! Essa aí da foto é minha avó, que falei na página anterior.


Goiânia, 20 de junho de 1994


Estou aprendendo a escrever, o que vocês acham da minha letra?




Já estou na escola. Estudo no Externato São José. O Colégio tem esse nome por ter sido um dos primeiros colégios não Internatos quando surgiu. É uma escola católica que pertence à Congregação das Irmãs Dominicanas de Nossa Senhora do Rosário de Monteils. Minha avó, minha mãe, minhas tias (irmãs da minha mãe) e todos os meus primos e minha irmã estudaram ou estudam aqui.


Estou no Jardim I. Engraçadinho esse nome né? Ainda não entendi direito o que ele significa. Agora estudo com colegas da minha idade e já estou arriscando algumas amizades. As aulas ainda consistem em desenhar, pintar e fazer alguns exercícios de alfabetização. Uma letra que eu não sei escrever direito ainda é a letra “E”. Eu a escrevo assim:


Goiânia, 7 de novembro de 1994


Estou melhorando minha escrita (apesar de minha letra não estra ainda aquela coisa). Hoje fui na casa da minha bisavó (chamo ela de Bisa) e minha irmã ficou me ajudando a treinar escrita.


Goiânia, 25 de junho de 1995


Ontem teve festa junina na escola! A turma do Jardim II (ainda não entendo esses nomes) organizou uma quadrilha. Olha eu aí dançando com minha coleguinha.




O pessoal sempre fica pegando no pé dizendo que estamos namorando. Que chato! Por falar em chato, o Jardim II é quase a mesma coisa que o I. Enrolação. Continuamos só desenhando, colorindo e aprendendo a escrever. Às vezes até confundo as lembranças de uma série com outra.


Ah, lembrei de uma coisa engraçada. Outro dia estávamos começando a ensaiar para a apresentação no final do ano. Chamamos todas as apresentações de “recital”. Vamos fazer uma peça com lobo mau, príncipe e princesa. A professora perguntou quem queria ser o príncipe e eu levantei a mão. Quando ela foi me vestir com uma espécie de saia, achei ruim, e me recusei. Só depois fui entender que na época que os príncipes viviam eles também usavam roupas parecidas com saia. Agora meu outro colega é o galã da turma. Fiquei com inveja.

Imagem retirada da Internet



Goiânia, 12 de fevereiro de 1996


Acabei de iniciar o pré-escolar (prezinho). Nunca vou entender mesmo esses nomes. Porque se chama pré-escolar se já estou na escola há dois anos (sem contar o maternal)? Minha mãe um dia falou que é de “pré-alfabetização”, mas também já estou sendo alfabetizado há algum tempo. Nada a ver!


Mas o pré é mais legal! Fazemos algumas atividades diferentes. Tem muito trabalhinho em grupo. Esses dias aconteceu uma coisa engraçada. Tenho um colega que se chama “Henrique”. Um dia a professora ensinou que o som de ERRE no meio da palavra tem que ser escrito com dois “r”. Desde então, meu colega começou a escrever seu nome como “Henrrique”. Lembro-me de ter corrigido ele hehehe.

Olha minha turminha aí embaixo. Conseguem me achar na foto?




Goiânia, 29 de novembro de 1996

Neste último final de semana teve recital da minha turma! O tema foi “poetas brasileiros”. Tiveram algumas interpretações de música, danças, etc. Eu tive uma participação da qual me envergonho um pouco. Eu subi sozinho ao palco após um grupo de meninas dançar, com o microfone, e disse uma frase de Vinícius de Moraes: “As feias que me perdoem, mas a beleza é fundamental”. Não achei nada demais. Mas imagina os adultos vendo um tico de gente de seis anos pronunciando isso ao microfone sozinho no palco. “óóóóóóóóóóóóunnnn”. Aplausos e aplausos. Minha mãe, durante aquela semana, ligou para quase todos os amigos dela contando sobre o que o filho dela dissera no recital. Isso me irritou um pouco.

Essa é uma foto que tirei depois do recital. Fiz questão de bater foto com minha professora do pré, a Eliane, que gosto muito. É uma pena que ela não será mais minha professora.


Na foto está também minha mãe, super orgulhosa do seu galanteador de mulheres bonitas.


Goiânia, 30 de novembro de 1998

Vou falar sobre a primeira e a segunda série juntas. Afinal, foram séries em que assisti aulas com a mesma turma, na mesma sala, com a mesma professora. E sinceramente, não vi grandes diferenças no conteúdo. Era basicamente continuação da alfabetização, operações básicas em matemática, como adição, subtração, multiplicação e divisão e algumas noções de geografia geral. Ah, e claro, as melhores aulas: Artes e Educação Física. Existem algumas histórias para se contar dessa época:

Aprendemos a escrever com letra cursiva. Minha letra já não era lá essas coisas, tentando escrever de forma cursiva ficou pior ainda. Mas poxa, eu ainda era uma criança aprendendo a escrever. É compreensível, né? Mas não, a professora Marilda (que eu detestava) fez questão de dizer para a sala toda que minha letra era a pior da turma. Pra quê? Não entendo porque expor uma criança de 7-8 anos dessa forma. Isso foi um pouco traumático pra mim.


Em um certo dia, a professora trouxe um modelo de globo terrestre para observarmos o formato da terra, o eixo de inclinação, o movimento de rotação e a distribuição dos continentes e dos países.Claro que pras crianças nada disso interessava, apenas que era um “brinquedo” de girar. Uns 4 meninos ao mesmo tempo meteram a mão no brinquedo e começaram a girá-lo freneticamente (eu estava no meio), até que alguem empurrou forte e o globo caiu e quebrou. Por algum motivo que eu ainda não entendo, a culpa recaiu sobre mim e minha mãe teve que dar o globo que tínhamos em casa para a escola.

Imagem retirada da Internet


A odiosa professora Marilda se afastou por um período na segunda série devido a sua gravidez. No lugar, entrou uma das professoras que mais gostei durante meu ensino fundamental: a professora Maria Luiza (que todos chamávamos de Du). Ela contou que a sobrinha dela não conseguia chamar ela de tia Lu e acabava chamando de tia Du. Assim ficou o apelido.

Uma cena que me lembro bem foi quando estávamos nos preparando para o recital de 1997.O tema era Monteiro Lobato. Dentro das várias fábulas que encenaríamos, estava uma cena da obra Sítio do Pica-Pau Amarelo. Estávamos escolhendo os personagens. Curiosamente, uma aluna novata que acabara de entrar na turma e ainda não tinha se entrosado muito, quis o papel da Dona Benta. Porém ninguém da turma quis que ela ficasse com o papel e escolhemos a Juliana, nossa colega de longa data. A Carolina (aluna novata) ficou muito triste e começou a chorar. A Professora Du pediu à Carolina que buscasse uma nova caixa de giz. Enquanto ela estava fora, a professora conversou com a gente e entendemos que a gente deveria deixá-la ser a Dona Benta, caso a Juliana aceitasse também. A Juliana aceitou. Quando a Carol voltou, refizemos a votação e, magicamente, todos escolheram ela pra ser Dona Benta. Diga-se de passagem, no recital ela arrasou no papel.

Falando em recital, deixo vocês com a foto do recital desse ano, cujo tema foi cultura goiana e cerrado. A professora da esquerda é a Du e a da direita, vesga, horrorosa (não gosto dela!) é a Marilda.



Goiânia, 30 de junho de 1999

Graças a Deus a época da Marilda passou. Agora minha professora é a Clotilde. Ela é bacaninha até. Minha irmã conta que odiava ela. Não dava certo de jeito nenhum. É engraçado isso da minha irmã ser três anos mais velha que eu. Todos os professores olham meu sobrenome e já sabem que sou irmão dela. Já fazem inclusive comparações e previsões de comportamento.

Dá 3ª série, o que posso dizer é que entraram muitos colegas novos. Thiagão, Giancarlo, Camila Ernesto, entre outros. Deu uma boa renovada na turma. Mas o que venho falar hoje é sobre o JIEX, que são os jogos internos do meu colégio. Esporte sempre foi uma coisa complicada pra mim. Nunca gostei muito de futebol - o que me tornava bem diferente da maioria dos meus colegas. Apesar das várias tentativas do meu pai de me colocar em escolinhas de futebol e de eu ter de fato “treinado” muitos anos, nunca fui bom e nunca cheguei a gostar de verdade. Na verdade, neste momento da minha vida eu tava mais interessado em jogos individuais. Gostava muito de xadrez e dominó. No ano passado, inclusive, ganhei uma medalha de ouro em dominó no JIEX.

Um amigo da minha mãe havia me ensinado xadrez e eu estava muito empolgado. Praticava sempre! Porém, existe uma regra aqui na escola que você tem que se inscrever em pelo menos tantas modalidades coletivas e tantas individuais (não me lembro ao certo agora). Por isso me inscrevi em xadrez, futsal e queimada. Eu acho queimada legal. É bem divertido, mas confesso que minha turma não tem muita vocação. A equipe masculina nunca ganhou nada. É sempre eliminada nas primeiras fases. A feminina já chegou a ganhar medalhas em vários anos. No futsal minha turma (turma A) é boa. São eternos rivais da turma B, que também joga muito bem. Não joguei muito. Como sou ruim e todos meus colegas concordam, entro na quadra apenas uma vez pra cumprir tabela e fico o resto do tempo na reserva. Como não permaneci muito tempo em quadra pra atrapalhar minha equipe, ganhamos medalha de prata neste ano!


Mas o meu orgulho mesmo foi no xadrez. No caso dos esportes individuais, quando há poucas inscrições, a competição é multisseriada. Estávamos competindo de 1ª a 4ª série. Cheguei à final contra um menino chamado Igor, da 4ª série. Acabei perdendo, mas conquistei medalha de prata no meu primeiro campeonato disputado.


Goiânia, 12 de agosto de 2000

Sobre popularidade e Bullying

Bullying é um termo novo, recente, que tenta conceituar uma prática que ocorre há décadas (talvez até mais) que não obedece nenhum tipo de normativa.

Vou resgatar dois assuntos que tratei na última página. Um deles é que eu não sou bom em futebol. No recreio nunca fico jogando com meus colegas. Eles acabaram por formar um grupinho entre os que jogam. Outro assunto foi a chegada de novos colegas na 3ª série. A maioria desses colegas novatos, em um primeiro momento, acabaram sendo "excluídos". Não tinham amigos. Alguns se misturaram, mas poucos.

O que percebi é que, ao longo dos anos, eu fui sendo excluído por não fazer o que todos faziam. Foi criado um conceito subjetivo do que era ser legal na 2ª, 3ª e 4ª séries. Eu não preenchia os pressupostos e requisitos. Por um motivo muito subjetivo eu fui excluído de um grupo com o qual eu estudava há cinco anos. Quando percebi, estava ficando amigo de outros colegas que não se misturavam, que não eram convidados pra formar grupos de trabalho, que não gostavam de futebol e não ficavam jogando bola no recreio. Formamos um grupo de excluídos.

Por algum motivo que ainda não entendo qual, viramos motivo de zoação e de aversividade. Por algum motivo éramos alvos de piada. E assim tem se seguido....


Imagem retirada da Internet



Goiânia, 11 de setembro de 2001

Imagem retirada da Internet


Hoje, quando minha mãe veio me buscar na escola já perguntou direto “Você ficou sabendo do atentado terrorista nos Estados Unidos?”. Eu não entendi nada. Não sabia o que era atentado e nem terrorista. Só entendi que aconteceu algo ruim naquela terrinha americana.

Fui entender melhor o que estava acontecendo quando cheguei em casa e liguei a televisão. Todos os canais estavam transmitindo imagens do ocorrido. Alternavam-se com imagens de um árabe no deserto que não entendi direito ainda o que é também. Vamos ver no que vai dar isso aí….

Uma coisa legal que aconteceu neste ano foi a viagem pra Brasília. No programa do Colégio, a 5ª série visita a capital federal. Segue uma foto minha com meus colegas na catedral.


A 5ª série mudou muita coisa. Agora temos um professor pra cada matéria. Não é tão livre mais quanto foram os outros anos. Algumas matérias ficaram mais difíceis. O uniforme mudou. Vamos ver como será daqui pra frente. Enquanto isso, deixo algumas imagens que me lembram esse período escolar que vivi até aqui.

 


Imagens retiradas da Internet




2 comentários :

  1. Ai Panda, que FOFO!!! Chorei (novidade!) Mas é serio.. Lindo.. ;))

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  2. aaaaai que LINDO! *-* vontade de te esmagar. Adorei

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